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PIA-KAETA, Dagger

ca. 1576 – 1625

Sri Lanka

Steel, gilded silver, black coral, brass

Full Length: 33 cm; Blade Length: 21, 5 cm

The Pia-Kaeta is a Sri Lankan weapon originating between the 16th and 17th centuries. The name appears with varied spelling all of which try to emulate in writing its eastern name.

T

he shape of its blade makes us look back to the ancient Falcata – a weapon of the Indo-European peoples – which originates in the Indian subcontinent around the second millennium B.C.E., its use extending to Europe and particularly pre-Roman Hispania – now the Iberian Peninsula.

It is curious to see that it is in Lusitania, with its Falcatas (in the time of Viriato) and its “Falcata shaped knives” (still manufactured and used in agriculture), and in Sri Lanka with its Pia-Kaetas, that are constituted the furthest points of use of this kind of weapon with its unique format.

The Greek sword (500 B.C.E.) and the Nepalese Kukri are also of the same family. When the Portuguese arrived in Sri Lanka they closed the geographical circuit of the area of use of this weapon.

Its main characteristic is the strange “crease” of the blade, which in pieces predating the 17th century is strongly pronounced.

The Pia-Kaeta is basically organised into three groups according to its use: the first and most frequent is the “Nobleman’s Knife”, used daily in the girdle around the waste. This model is characterised by its thin blade and being heavily decorated.

The second group, much rarer, includes the combat Pia-Kaeta, with a much wider and longer blade. This group usually has simpler decoration, the more decorated pieces being the rarest.

The third group, extremely rare, includes large pieces, which were used in the temple for animal sacrifice.

This piece is a combat Pia-Kaeta and quite decorated reason for its rarity.

The steel blade, single edged, has on the non-edged side a deep groove occupying a large area of the base almost all the way to the tip. This is covered in gilded silver. Next to it, and also from the base, a large rectangular panel stands out in the same metal. They are both decorated with twisting vines, chiselled in high-relief. Over these and joining to the hilt, there is a mounted ornament made of brass, partly plain and partly worked, making a floral motif.

The hilt is made in black coral with silver mounts.

The scabbard is made of wood worked into grooves and covered with plain silver foil, hammered on the wood, which makes grooves all the way up to the mouth. Here there is a pierced vegetal motif decoration.

Bibl.: Cameron Stone, 1999, pp. 498-499, fig. 638/9; Tirri, 2004, p. 377, fig. 271C

PIA-KAETA, Adaga

ca. 1576 – 1625

Ceilão

Aço, prata dourada, coral negro, latão

comp. total: 33 cm; comp. lâmina: 21,5 cm

A Pia-Kaeta é uma arma singalesa com origem entre os séculos XVI e XVII. O nome surge com variadíssimas formas de escrever, todas elas numa tentativa ocidental de captar, por escrito, o nome oriental.

A forma da sua lâmina obriga a recuar à ancestral Falcata - a arma dos povos Indo-Europeus -, originária do Hindustão por volta do segundo milénio A.C., estendendo-se depois o seu uso à Europa e muito concretamente à Hispania Pré-Romana – actual Península Ibérica.

É curioso verificar que é a Lusitânia, com as suas Falcatas (da época de Viriato) e Facas Afalcatadas (ainda hoje fabricadas e usadas na agricultura), e o Ceilão com as suas Pia-Kaetas, constituírem os territórios mais longínquos na utilização deste tipo de arma com um formato tão singular.

A espada grega (500 A.C.) e o Kukri do Nepal são-lhe aparentados. Quando os portugueses chegaram ao Ceilão, fecharam o círculo geográfico das zonas de utilização desta arma. A sua característica principal é o estranho "vinco" da lâmina, que nos exemplares anteriores ao século XVIII é muito pronunciado.

A Pia-Kaeta organiza-se basicamente em três tipos, de acordo com a sua utilização: o primeiro e o mais frequente, é a “Faca de Fidalgo”, trazida diariamente na faixa que envolve a cintura. Este modelo, caracteriza-se pela lâmina estreita e por ser geralmente muito decorado.

O segundo tipo, bastante mais raro, inclui a Pia-Kaeta de Combate, de lâmina bastante mais larga e comprida. Esta, tem geralmente uma decoração mais simples, sendo os exemplares mais decorados, os de maior raridade.

O terceiro tipo, raríssimo, inclui exemplares de grande dimensão, que serviam no templo para o sacrifício de animais.

O presente exemplar, pertence ao tipo de Pia-Kaeta de Combate bastante decorado, que tal como já foi referido, é mais raro.

A lâmina em aço, de um só gume, surge no contra gume com um sulco profundo a ocupar uma grande extensão da base, quase até à ponta. Este é revestido a prata dourada. Paralelamente e também a partir da base, ressalta um painel largo e rectangular, executado no mesmo metal. Ambos, estão decorados com enrolamentos de vinha, cinzelados em alto-relevo. A sobrepor-se a estes e a fazer a junção com o punho, aparece um ornamento aplicado, de latão, em parte liso e em parte bastante recortado, a formar um motivo floral.

O punho, é esculpido em coral negro com aplicações em prata.

A bainha, é de madeira trabalhada em sulcos e revestida a folha de prata lisa, e batida sobre esta, o que resulta em caneluras até à zona da boca. Aqui, surge uma decoração vazada de motivos vegetalistas

Bibl.: Cameron Stone, 1999, pp. 498-499, fig. 638/9; Tirri, 2004, p. 377, fig. 271C

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