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Armeiros Persas

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Manouchehr Moshtagh Khorasani Tradução do Inglês por Drª. Vanda Noronha

Introdução

À semelhança das espadas japonesas de alta qualidade Nihonto, que são assinadas com a marca do seu fabricante, algumas espadas persas de grande qualidade têm também a marca do seu fabricante sob a forma de um cartucho embutido a ouro na lâmina. No entanto, a maior parte das espadas persas são assinadas na lâmina, ao contrário das espadas japonesas, que são assinadas na espiga. Contudo, algumas armas persas de grande qualidade são também assinadas na espiga. Infelizmente, visto que as espadas persas não podem ser desmontadas facilmente como é o caso das Nihonto japonesas, muitos investigadores e conservadores de museus não estão ao corrente deste facto. Desmontar o punho de uma arma persa levaria automaticamente à destruição do seu punho visto estar colado à espiga.

O objectivo deste artigo é apresentar alguns armeiros persas famosos e o seu trabalho. A primeira parte do artigo trata do lendário armeiro persa Assadollāh. A segunda parte apresenta Kalbeali. A última parte do artigo disserta sobre alguns armeiros persas cujas obras são preservadas nos museus militares do Irão.

O Armeiro Assadollāh Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ A aura de mistério que rodeia o nome de alguns fabricantes de espadas Nihonto tal como o lendário Masamune pode também ser encontrado em lâminas persas assinadas com o nome de Assadollāh Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ. Estas espadas são geralmente embutidas em ouro com a seguinte frase: Amal-e Assadollāh Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ ﻋﻣﻞ que se traduz em “Obra de Assadollāh Esfahāni” e obviamente/alegadamente revela uma marca de fabricante. Um factor que precisa de ser tomado em consideração é que Assadollāh é um nome usado até no Irão de hoje e que significa literalmente “O leão de Deus”, que era e é usado como um título do primeiro Imã dos Xiitas (Hazrat-e Ali) e quarto Califa dos Sunitas. Logo a frase amal-e Assadollāh Esfahāni pode na verdade ser explicada da seguinte forma: amal ﻋﻣﻞ (s.) significa “obra,” Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ (s.) significa “o leão de Deus,” e Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ (adj) significa “de Isfahān”. Esta marca de fabricante aparece num número de espadas persas de alta qualidade. Também existem outras variantes desta assinatura como Amal-e Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ ﻋﻣﻞObra de Assadollāh”, Amal-e Assad Esfahāni ﺍﺼﻔﻬﺎﻨﻰﺍﺴﺪ ﻋﻣﻞ (obra de Assad Esfahāni), e Assadollāh Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ (Assadollāh Esfahāni).Nota 1Para mais informação ver Moshtagh Khorasani (2006:156–163) Entre os ferreiros iranianos, Assadollāh Esfahāni é supostamente o mais famoso armeiro iraniano, mas apesar de as lâminas assinadas com o seu nome serem numerosasNota 2Ver Mayer (1957–59:1), a sua história mantém-se misteriosa.Nota 3Ver Kobylinski (2000:61) É até dito que Assadollāh Esfahāni era um génio no fabrico de espadas e que as lâminas de Assadollāh são capazes de rapar cabelo bem como de cortar barras de ferro.Nota 4Ver Mir’i (1970/1349:336) Têm a reputação de estar hoje em excelente condição mesmo após 400 anos. A marca embutida a ouro Amal-e Assad Esfahāni ﺍﺼﻔﻬﺎﻨﻰﺍﺴﺪﻋﻣﻞ ou Amal-e Assadollāh Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ ﻋﻣﻞ era geralmente acompanhada por outra frase onde se lia Bande-ye šāh-e velāyat Abbās ﻋﺒﺎﺱﻮﻻﻴﺕﺷﺎﻩﺑﻨﺪﻩ que significa literalmente, “O súbdito/escravo do reino/domínio/regência de Ali, Abbās.” Isto é traduzido como o seguinte: “Abbās é o representante do reino de Ali e age em seu nome.” Note-se que bande ﺑﻨﺪﻩ (s.) significa “escravo/súbdito”, šāh ﺷﺎﻩ (s.) significa “rei,” e velāyat ﻮﻻﻴﺕ (s.) significa “país, regência,” e Abbās ﻋﺒﺎﺱ (s.) é o nome de um rei.

De acordo com o Digital Lexicon of Dehxodā, bande ﺑﻨﺪﻩ significa “súbdito” ou “escravo.” Obviamente, pessoas que servem ou vivem no reino governado por um rei são os seus súbditos. Velāyat ﻮﻻﻴﺕ significa “reino” ou “terra governada”, logo, um rei tem um velāyat ﻮﻻﻴﺕ sobre o qual governar. Dehxodā diz ainda que a pessoa a quem Velāyat-e AliNota 5Para o uso desta frase no mesmo contexto ver o manuscrito Abu Moslemnāme (Tartusi, 2001/1380:401; vol. 2 ﻋﻠﻰﻮﻻﻴﺕ se refere, considera-se o representante do Imã Ali ﻋﻠﻰ ﺍﻣﺎﻡ e, consequentemente, rege e governa em seu nome. É claro que esta é uma frase muito própria dos Xiitas, visto que os Xiitas consideram Hazrat-e Ali ﻋﻠﻰ ﺤﻀﺮﺖ o verdadeiro herdeiro do Profeta Muhammed. Para além disto o Digital Lexicon of Dehxodā também nos diz que existiam diferentes títulos/nomes utilizados para se referir a Hazrat-e Ali. Estes incluem amir al-momenin ﺍﻣﻴﺮﺍﻟﻤﻮﻣﻨﻴﻦ, Assadollāh ﺍﺳﺪﺍﷲ Heidar ﺣﻴﺪﺭ, molāye motagiyān ﻣﺘﻘﻴﺎﻥ ﻣﻠﺍﻯ, šāh-e mardān ﻣﺮﺩﺍﻥﺷﺎﻩ , e šāh-e velāyat ﻮﻻﻴﺕ ﺷﺎﻩ.

Página 3 5 Para o uso desta frase no mesmo contexto ver o manuscrito Abu Moslemnāme (Tartusi, 2001/1380:401; vol. 2).

Logo, šāh-e velāyat ﻮﻻﻴﺕﺷﺎﻩ (o rei da terra) refere-se a Hazrat-e Ali como pode ser visto em antigos manuscritos, como o Futuvvatnāme-ye Soltāni.Nota 6Ver Kāšefi Sabzevāri (1971/1350:6, 10) No manuscrito do período Qājār Rostam al Tavārix, uma história é contada sobre como Šāh Esmā’il matou um urso quando tinha treze anos e também um leão enquanto caçava no Iraque, dizendo que Šāh Esmā’il tinha herdado a coragem de hazrat-e šāh-e velāyat ﻮﻻﻴﺕﺷﺎﻩ ﺤﻀﺭﺕ (referindo-se a Hazrat-e Ali). Para além disto, deve-se notar que no manuscrito Ta’id Besārat, é dito que o período de o reinado de um rei asr-e pādešāh پﺎﺩﺸﺎﻩ ﻋﺼﺭ é escrito em algumas espadas.Nota 7Ver Mirzā Lotfallāh (1706–1707:1118 ou 1108:1696–1697:[8]) Logo, muitos investigadores têm assumido que a combinação de duas frases: Amal-e Assadollāh Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ ﻋﻣﻞ e Bande-ye šāh-e velāyat Abbās ﻋﺒﺎﺱﻮﻻﻴﺕﺷﺎﻩﺑﻨﺪﻩ indicam que o famoso armeiro Assadollāh Esfahāni deveria ter vivido durante o período de Šāh Abbās Safavid. Mas nenhuma prova histórica clara pode ser providenciada para substanciar esta afirmação. No entanto, é digno de nota que evidência histórica para a existência de outros artistas, noutros campos, em crónicas históricas, tais como o calígrafo Mir Emād, o pintor Rezā Abbāsi Kāšāni, o astrónomo Molānā Jalāledin Mohammad Yazdi, o médico Hakim Šafāi Esfahāni, o músico Masib Xān, o tecelão de tapetes Nematollāh Jošqāni, e o arquitecto Ostād Ali Akbar Esfahāni, apenas para nomear uns quantos, são claramente mencionados.Nota 8Ver Mir’i (1970/1349:305-336) Mas todos estes manuscritos estão silenciosos no que diz respeito à existência de um armeiro chamado Assadollāh Esfahāni.

Ao que a minha pesquisa indica três manuscritos em Persa mencionam o nome de Assad como armeiro como se descreverá a seguir.

No manuscrito do período Safávida Tazakore-ye NasrābādiNota 9Ver Nasrābādi Esfahāni (1941/1317:9), é dito que um mestre armeiro chamado Ostād Kalbeali, falava sobre o seu pai Assad ﺍﺴﺪ:.ﻤﻰﻜﺮﺪ ﻧﻗﻞ ﺍﺴﺪ ﺧﻮﺪ ﻭﺍﻟﺪ ﺍﺯ ﺷﻤﺷﻴﺮگﺮ ﻛﻟﺑﻌﻟﻰ ﺍﺴﺘﺎﺪ Ostād Kalbeali šamširgar az vāled xod ostād Assad naql mikard. [O Mestre Kalbeali o armeiro estava a falar sobre o seu pai o mestre Assad]. Deve tomar-se nota que Mirzā Mohammad Tāher Nasrābādi Esfahāni nasceu em 1027 Hégira (1619 E.C.) e começou a escrever o livro Tazakore-ye Nasrābādi em 1083 Hégira (1627 E.C.) e viveu até ao fim do reinado do Šāh Soleymān Safavid [o Šāh Soleymān Safavid reinou entre 1052-1077 Hégira/1666-1694 E.C.].Nota 10Allan and Gilmour (2000:102) relato sobre a menção do nome de um armeiro chamado Assad Outra menção do nome Assad ﺍﺴﺪ como armeiro pode ser encontrada no manuscrito Ta’id Besārat escrito por Mirzā Lotfallāh em persa na Índia. A data da sua finalização é contida no livro: se se contar o Yāi hamzatum, como é usual nestes tratados, o ano mais provável seria 1118 Hégira (1706-1707 E.C.) e sem o Yā seria 1108 Hégira (1696-1697 E.C.). Se se tomar em consideração ambas as datas de finalização, nomeadamente 1706-1707 E.C. e 1696-1697 E.C., torna-se claro que o manuscrito Ta’id Besārat foi escrito durante o reino do Šāh Soltān Hossein Safavid (1694 – 1722 E.C.). No manuscrito Ta’id Besārat, Mirzā Lotfallāh explica que a espada iraniana chamada called ikeri ﺍﻴﻜﺭﻯ pelos turcos e feita em Esfahān (Isfahan) especialmente por Assad ﺍﺴﺩ, que, ele diz, é como Sāleh ﺼﺎﻠﺢ da Índia, e o seu filho Kalbeali ﻜﻠﺏﻋﻠﻰ. As espadas Iranianas [feitas por Assad ﺍﺴﺩ e Kalbeali ﻜﻠﺏﻋﻠﻰ e outros ferreiros iranianos] cortam jošan ﺠﻭﺸﻥ armadura muito bem, e Mirzā Lotfallāh explica que se ele fosse relatar todas as boas qualidades das espadas iranianas de acordo com o que tinha visto e ouvido dizerpareceria exagero.

O texto original diz o seguinte:  پﺴﺭﺶ ﻮ ﻫﻧﺪﻭﺴﺘﺎﻨﺴﺕ ﺻﺎﻠﺢ ﻤﺛﻞ ﻜﻪ ﺍﺴﺪ ﻜﺎﺮ ﺨﺼﻭﺺ ﺼﻔﺎﻫﺎﻨﻳﺴﺕ گﻮﻴﻧﺪ ﺍﻴﻜﺭﻯ ﺗﺭﻜﺎﻥ ﻜﻪ ﺍﻴﺭﺍﻧﻰ ﺷﻤﺷﻴﺮ ﺴﺨﺕﺑﺮﻯ ﺪﺭ ﺷﻭﺪ ﻤﺑﺎﻠﻐﻪ ﻤﺟﻤﻼ ﻜﻧﻡ ﺘﻔﺼﻴﻞ ﺍﻭ ﺷﻧﻴﺪﻩ ﻭ ﺪﻴﺪﻩ ﺑﺮﺶ ﺍگﺮ ﻤﻰﺑﺭﺪ ﺑﺴﻴﺎﺭ ﺟﻮﺷﻦ ﻏﻴﺭﻩ ﻮ ﻜﻠﺏﻋﻠﻰ ﺪﻡ ﻁﺭﻑ ﻧﺻﻑ ﻭ ﺍﺴﺖ ﻓﻭﻻﺪ ﺷﻤﺷﻴﺭ ﺯﺭﻩﺑﺭﻯ ﻭ ﻤﻰﺑﺭﺪ ﺧﻮﺐ ﺍﻤﻜﺎﻥ ﺑﻗﺪﺭ ﺯﺮﻩ ﺍﺴﺖ ﻫﻤﻪﺑﺮ ﺁﻧﻜﻪ ﺑﺎ ﺍﺴﺖ ﺑﻰﻧﻆﻴﺭ ﻮ ﻤﻰﺧﻮﺮﺪ ﺧﻡ ﺿﺮﺐ ﺷﺪﺖ ﺪﺭ ﺪﻴگﺭ ﺍﺠﺰﺍﻯ ﺑﺎ ﺻﺎﺑﻭﻥ ﻭ ﻋﺼﺎﺭﻩ ﺮﻮﻏﻦ ﺍﺯ ﺍﺴﺖ ﺪﻫﻨﻴﺖ ﺑﻪ ﺁﺑﺪﺍﺭﻴﺵ ﺍﺴﺖ ﺁﺑﺪﺍﺭ ﻭ ﺧﺭﺍﺴﺎﻧﻰ ﺍﺯ ﺑﻬﺗﺭ ﺍﺻﻔﻬﺎﻧﻰ ﻤﻴﺪﺍﺭﻧﺪ ﻨگﺎﻩ ﺘﻤﺎﻡ ﺑﺬﻭﻕ ﻤﺑﺻﺮﺍﻥ ﻤﻴﻤﺎﻧﺪ ﻗﺎﻴﻡ ﺍﻛﺛﺮ ﻫﻡ ﺪﻡ ﺑﺮ ﻧﻤﻰﺷﻜﻧﺪ ﻫﺮگﺰ ﺪﺭ چﻧﺩ ﻫﺭ ﺍﺻﻴﻞ ﻗﺑﻴﻞ ﺍﺯ ﺍﺴﺖ ﻔﻮﻻﺩ ﻜﻴﻔﻴﺖ ﻮ ﻨﺮﻤﻰ ﻨﻘﻟﺵ ﺘﺎ ﻭﻻﻴﺗﻰ ﺸﻨﺎﺨﺖ ﺍﺴﺖ ﻮﻻﻴﺖ ﺪﻴگﺮ ﺠﺎﻫﺎﻯ ﻮ ﻗﻤﻰ .ﺷﺪ ﺍﻨﻘﺪﺭﻧﻤﻴﺗﻮﺍﻧﺪ ﻫﻡ ﺑﺮﺶ ﺪﺭ ﻮ ﺴﺎﺧﺖ ﻨﻤﻴﺗﻮﺍﻧﻧﺩ ﻜﻴﻔﻴﺕ ﺑﺂﻦ ﻫﻧﺪﻮﺴﺗﺎﻦ ﺪﺭ ﻤﻰﺭﺳﺪ ﻫﻧﺩ ﺍﺯ ﻓﻭﻻﺪ ﻮﻻﻴﺖ (Mirzā Lotfallāh, 1706–1707:1118 ou 1108:1696–1697:[36-37])

Šamšir-e irāni ke torkān ikeri guyand safāhānist xosus kār-e Asad ke mel-e Sāleh-e hendustān ast va pesaraš Kalb-e Ali va qeire jǒšan besyār miborad agar boreš dide va šenide u tafsil konam mojamelan mobāleqe šavad dar saxtbori binazir ast bā inke hamebor ast zereh beqadr-e emkān xub miborad va zerehbori šamšir-e fulād ast va nesf-e taraf-e dam ābdār ast ābdāriyaš be dohniyat ast az roqan-e osāre va sābun bā ajzāye digar dar šedat-e zarb xam mixorad va hargez nemišekanad bar dam ham aksar qāyem mimānad mobserān be zoq-e tamām negāh midārand esfahāni behtar az xorāsāni va qomi va jāhāye digar-e velāyat ast šenāxt velāyati tā naqlaš narmi va keyfiyat fulād ast az qabil-e asil har čand dar velāyat fulād az hend miresad dar hendustān be ān keyfiyat nemitavānand sāxt va dar boreš ham ānqadr nemitavānad šod.

[Espada iraniana, que é chamada ikeri pelos turcos, é de Esfahān, especialmente aquelas feitas por Assad, que é similar a Sāleh da Índia, e o seu filho Kalb-e Ali e outros. Corta jŏšan [um tipo de armadura que é uma combinação de couraça e cota de malha] muito bem. Se eu explicasse o seu [poder de] corte que vi e ouvi pareceria um exagero. É a melhor no corte de objectos duros. Apesar de cortar tudo, corta cota de malha bem tanto quanto é possível. O corte de cota de malha é devido à espada de aço. Metade do lado da espada em direcção à lâmina é endurecido. E o seu endurecimento é devido à oleosidade/flexibilidade que é feita de óleos essenciais e sabão e outros ingredientes. Dobra-se sob golpes fortes, mas nunca se parte. Mantém também a sua forte lâmina a maior parte do tempo. Conhecedores [de espadas] mantêm-na com muito interesse. Espadas de Esfahān [Isfahan] são melhores do que as de Xorāsān [Khorasan] e de Qom e outros sítios do país [velāyat]. O reconhecimento das espadas do país [velāyat; referindo-se aqui ao Irão] como eles explicam é devido à sua flexibilidade e a qualidade do seu aço semelhante ao das espadas asil [nobres]. Apesar do aço do país [velāyat] vir da Índia, na Índia não conseguem fazer a mesma qualidade [de espadas] e não conseguem chegar à qualidade de corte].

Isto prova outra vez que não existia um só ferreiro chamado Assadollāh que viveu durante o reino do Šāh Abbās Safavid que governou de 1587 a 1629 E.C. No Dāeratolmaāref-e Bozorg-e Eslāmi (A Grande Enciclopédia Islâmica), SemsārNota 11Ver Semsār (1997/1377:257) erradamente assume que a primeira vez que nome do ferreiro Assadollāh foi mencionado foi no Jogrāfiyā-ye Esfahān (A Geografia de Esfahān) que foi escrito em 1294 Hégira (1877 E.C.). No manuscrito Jogrāfiyā-ye Esfahān o nome Assad Esfahāni é mencionado da forma seguinte:Nota 12Tahvildār Esfahāni (1964/1342:107) ﺸﻤﺸﻴﺭ ﺑﻭﺪ ﺷﺪﻩ پﻴﺪﺍ ﺷﺧﺴﻰ ﻤﺪﺖ ﺠﺎﻮﻴﺩ ﺩﻮﻠﺕ ﺍﻴﻦ ﺍﻭﺍﻴﻞ . ﻜﻡ ﺑﺴﻴﺎﺮ ﺤﺎﻻ ﻮ ﺑﻮﺪﻨﺪ ﺰﻴﺎﺪ ﺴﺎﺑﻕ . ﺸﻤﺸﻴﺭﺴﺎﺯ ﺠﻤﺎﻋﺖ ﺍﻴﻦ .ﻧﻜﺮﺪ ﻫﻢ ﺪﻮﺍﻡ ﻨﺪﺍﺷﺖ ﻤﺸﻮﻕ ﻮ ﻤﺷﺗﺭﻯ چﻭﻥ ﻫﻨﺪﻮﺴﺘﺎﻥ ﻜﺎﺭﻫﺎﻯ ﻭ ﺍﺻﻔﻬﺎﻧﻰ ﺍﺴﺪ ﺍﺯ ﺑﻬﺗﺮ ﺑﻤﺮﺍﺗﺐ ﻤﻴﺳﺎﺨﺕ . ﺍﺴﺖ ﺨﺮﻴﺪﺍﺭ ﻜﻡ ﺑﺴﻴﺎﺮ ﻤﺗﺎﻋﺷﺎﻦ ﺍﻻﻦ ﺑﺎﺷﺪ ﺪﺍﺷﺘﻪ ﺧﻮﺍﻫﺎﻦ ﺍگﺮ ﻤﻴﺴﺎﺯﻧﺪ ﺨﻮﺐ ﻫﻡ ﺰﻤﺎﻦ

Jemā’at šamširsāz. Sābeq ziyād budand va hālā besyār kam. Avāyel in dolat-e jāvid moddat yek šaxsi peydā šode bud šamšir misāxt be marāteb behtar as Assad Esfahāni va kārhāye hendustān. Čon moštari va mošaveq nadāšt davām ham peidā nakard. In zamān ham xub misāzand aqar xāhān dāšte bāšad, allān matā’ešān besyār kam xaridār ast.

[Armeiros: Costumavam existir muitos no passado mas existem apenas poucos agora. No início deste “governo eterno” [referindo-se ao período de Nassereldin Šāh Qājār], havia uma pessoa [ferreiro] que fazia melhores espadas do que Assad Esfahāni e do que as [outras] espadas feitas na Índia. Ele [o armeiro] não tinha quaisquer patronos ou clientes, o seu trabalho não sobreviveu. Mas podem ainda fazer boas espadas se houver clientes, apesar de não existir suficiente procura da parte de compradores para encomendarem espadas].

Como descrito antes, a conclusão de Semsār não é correcta visto que o nome de Assadollāh já era mencionado nos manuscritos Tazakore-ye Nasrābādi e Ta’id Besārat. Mas como é claro em todos os três manuscritos, referencias a Assad são circunstanciais. É digno de nota que todos os manuscritos se referem a ele com Assad e não Assadollāh e apenas um manuscrito usa o último nome Esfahāni. O problema da existência de um grande número de espadas assinadas com a assinatura de Assadollah era já reconhecido pelas primeiras investigações que assumiram que alguns destes cartuchos foram adicionados mais tarde às lâminas de forma a aumentar o seu valor para os mercados europeus.Nota 13Ver Zeller e Rohrer (1955:98-99) Investigação em 2000 estimou que existiam mais de 200 lâminas assinadas por Assadollāh Esfahāni em grandes [conhecidas] colecções privadas e museus fora do Irão e o mesmo número poderia presumivelmente ser encontrado em colecções mais pequenas, levando o número a pelo menos 400 a 500 espadas com a sua assinatura; é muito improvável que Assadollāh tenha feito todas estas lâminas.Nota 14Kobylinski (2000:61); ver também Mayer (1957–59:1) Para além disto, muitas das suas lâminas fora do Irão estão datadas, a mais velha conhecida sendo de 811 Hégira (1409 C.E.), enquanto a mais recente é de 1233 Hégira (1808 E.C.).Nota 15Kobylinski (2000:62) Outros investigadores dão um período de tempo de mais de três séculos para lâminas datas com a assinatura de Assadollāh.Nota 16Ver Lebedynsky (1992:71) Outro factor a ser tido em consideração é que o estilo de caligrafia e escrita é frequentemente diferente de uma lâmina para a outra, tornando impossívelque todas estas lâminas tenham sido criadas por um só armeiro. Para além disto as técnicas para fazer estas assinaturas variam drasticamente tal como o estilo de escrita.Nota 17Lebedynsky (1992:71) e Kobylinski (2000:62)

Lado a lado com a associação de Assadollāh com a era do Šāh Abbās o Grande (1585-1627 E.C.), existem também opiniões que, visto que muitas lâminas com a assinatura de Assadollāh foram feitas após a era do Šāh Abbās o Grande, Assadollāh viveu na era do Šāh Abbās III (1731–36 E.C.). No entanto, a pesquisa efectuada aponta para a existência de uma lâmina assinada com a assinatura “Obra de Kalb Ali, o filho de Assadollah” no século XVII, indicando que um certo ferreiro chamado Assadollāh deve ter vivido durante a época do Šāh Abbās o grande.Nota 18Ver Zeller and Rohrer (1955:100)

Apenas na colecção de Henri Moser em Berna, Suíça, existem 13 lâminas persas assinadas com a assinatura de Assadollah englobando um período de 140 anos, incluindo os reinos sucessivos de 4 reis iranianos do período Safávida.Nota 19Ver Zeller e Rohrer (1955:99–100) Na colecção de Henri Moser em Berna não existem lâminas assinadas com a assinatura de Assadollāh que possam ser atribuídas à época de Šāh Abbās.Nota 20Ver Zeller e Rohrer (1955:100) Contudo, apenas no Museu Militar de Teerão, o Palácio de Sa’dābād, existem quatro espadas atribuídas a Šāh Abbās I que estão assinadas com a assinatura de Assadollāh Esfahāni. Outra magnífica espada datada do Museu Militar Bandar Anzali (numero 6) com o cartucho Amal-e Assadollāh Esfahāni 107 é claramente datada com o ano 1107 Hégira, que foi 17 Lebedynsky (1992:71) e Kobylinski (2000:62) durante o reino do Šāh Abbās I Safavid, que reinou de 996 a 1038 Hégira (1587-1629 E.C.).

Existem também opiniões que a assinatura de Assadollāh possa ter sido usada como o simbolo de uma oficina.Nota 21Ver Kobylinski (2000:62) Por um lado não existem menções de tal oficina em crónicas iranianas, por outro lado a possibilidade de as lâminas serem falsas deve ser rejeitada visto um falsário teria copiado o cartucho exacto em vez de criar estilos novos. Para além disto, devido ao facto de as datas nestas lâminas variarem drasticamente de uma para outra e englobarem um longo período, um falsário teria também incluído a data exacta do reino do Šāh Abbās em vez de inventar datas diferentes e não relacionadas. Nem sequer é claro qual Šāh Abbās é referido visto que existiram três reis desse nome: Šāh Abbās I (1585–1627 E.C.), Šāh Abbās II (1642–1667 E.C.), and Šāh Abbās III (1732–1736 E.C.).Nota 22Ver Mayer (1957–59:1) As datas nas lâminas assinadas com o nome de Assadollāh mantidas em museus europeus vão desde 1408-1409 E.C.Nota 23Este saber está no Royal Scottish Museum até 1808 E.C.Nota 24Este saber está na Wallace Collection em Londres e os cartuchos têm os nomes de quase todos os reis Safávidas, tais como Šāh Esmāil, Šāh Tahmāsp, Šāh Abbās, Šāh Safi, Šāh Hossein, Šāh Soleymān, e até Afšārid Nāder Shah.Nota 25Ver Mayer (1957–59:2) Investigação efectuada sugere também a teoria que o nome de Assadollāh foi usado na sua oficina para que as espadas pudessem continuar a ser feitas sob o nome do mestre.Nota 26Ibid No entanto, na mesma investigação é sublinhado que os dois filhos de Assadollāh assinaram as suas lâminas com os seus próprios nomes e é concluído que o próprio nome Assadollāh foi usado como um sinal de qualidade e excelência após a sua morte.Nota 27Ibid

Espadas datadas com a marca do fabricante complicam o assunto ainda mais. Existem sete exemplos datados que, em vez de resolver o mistério por trás da vida do ferreiro Assadollāh, só complicam o assunto visto que o período de tempo em que é suposto terem sido construídas é demasiado longo para uma vida humana normal, muito menos a vida activa de um ferreiro. Entre as armas discutidas no livro Arms and Armor from Iran: The Bronze Age to the End of the Qajar Period, a data mais antiga é 992 Hégira (1583 E.C.), e a mais tardia é 1135 Hégira (1722 E.C.), um período de tempo de 139 anos.Nota 28Ver Moshtagh Khorasani (2006:156–163) Até o posicionamento das palavras individuais nesta frase variam de espada para espada. Tendo em conta todos estes factores, parece improvável até fundamentalmente implausível que um único ferreiro chamado Assadollāh tenha produzido todas estas lâminas. Parece possível e provável que “Assadollāh” ﺍﺴﺪﺍﷲ tenha sido um título honorífico que significava o mais alto nível de mestria em armaria. A teoria que algumas destas inscrições foram falsificadas para adicionar ao valor de uma espada poder ser válida para espadas mais tardias com cartuchos onde se encontram embutidos mediocremente executados ou até com a cartucho aplicado por cima da lâmina, mas todos os exemplos apresentados no livro mencionado acima têm inscrições com caligrafia e trabalho finamente executado e apresentam técnicas de embutir esplêndidas. Se se assumir que o nome “Assadollāh” ﺍﺴﺪﺍﷲ era o título mais alto dado a um ferreiro iraniano que tivesse atingido um muito alto nível de mestria no fabrico de espadas, o mistério da existência de uma variedade de estilos de escrita e caligrafia ao longo de um grande período de tempo parece ser resolvido. Uma pessoa falsificando um cartucho fraudulento iria provavelmente imitar o original o mais precisamente possível de forma a enganar os compradores visto que tentaria vender as suas espadas sob um nome falso. Para além disto um falsificador iria certamente assegurar-se que a data dos cartuchos forgados iria corresponder exactamente à era do Šāh Abbās Safavid se existisse apenas um ferreiro famoso  chamado Assadollāh durante o período relevante. Outro facto que reforça a hipótese que “Assadollāh” ﺍﺴﺪﺍﷲ era provavelmente um título honorífico dado durante o período Safávida é que existem três espadas datas contendo a frase Amal-e Assdollah Esfahāni do mesmo período de tempo, nomeadamente Amal-e Assadollāh Esfahāni 116 (۱۱ ٦ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ ﻋﻣﻞ ), Amal-e Assadollāh Esfahāni 117 (۱۱ ٧ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ ﻋﻣﻞ), e Amal-e Assadollāh Esfahāni (ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ ﻋﻣﻞ) e Bande-ye Šah-e velāyat Abbās saneye 135 (۱۳۵ ﺳﻨﻪ ﻋﺒﺎﺱﻮﻻﻴﺕﺷﺎﻩﺑﻨﺩﻩ ),Nota 29Ibid todas tendo a sua origem no tempo do of Šāh Soltān Hossein Safavid, que reinou de 1105 a 1135 Hégira (1694-1722 E.C.).

No entanto, todas as três espadas apresentam diferenças em vários respeitos, especialmente no que diz respeito ao estilo de escrita. Isto é mais prova que, pelo menos durante o período do reino do Šāh Soltān Hossein Safavid, vários ferreiros assinaram lâminas utilizando a assinatura Amal-e Assadollāh realmente um título honorífico. Não nos podemos esquecer, no entanto, que fazer um šamšir ﺷﻤﺸﻴﺮ envolvia um elevado número de diferentes indivíduos com diferentes áreas de especialização de forma que um número de pessoas estivera envolvido no fabrico das várias partes de uma espada. Um destes grupos era chamado fulādgarān ﻔﻮﻠﺎﺪگﺮﺍﻦ (trabalhadores do aço). No manuscrito Jogrāfiyā-ye Esfahān está escrito que os fulādgarān ﻔﻮﻠﺎﺪگﺮﺍﻦ faziam as montagens da espada.Nota 30Ver Tahvildār Esfahāni (1964/1342:106) É também dito que os fulādkārān ﻔﻮﻠﺎﺪﻛﺎﺮﺍﻦ na era Safávida usavam aço para ornamentação com fins decorativos em capacetes, escudos e porta-canetas e para inscrições em portas e janelas. Calígrafos ajudavam-nos no design de inscrições em gol-e kamar گﻞﻛﻤﺭ (fivelas de cinto). Para além disto, trabalhadores de aço Safávidas, especializados em fazer armas e armaduras, cooperavam com zargarān ﺰﺮگﺮﺍﻦ (ourives) a quando dadecoração das mesmas.Nota 31Ehsāni (2003/1382:195) Este era obviamente o caso também em períodos mais tardios. Floor (2003:223) cita Tahvildār, que escreveu acerca da guilda dos gravadores de ouro (naqqāš-e zargar ﺰﺮگﺮ ﻧﻘﺎﺶ) que gravavam e embutiam “ossos de marfim” e “dentes de peixe leão” (presas de morsa) para pegas de adagas (xanjarﺧﻧﺠﺮ), molduras de espelhos, pegas de bengalas e peças de xadrez. Claramente calígrafos e ourives estavam também envolvidos na escrita e decoração de montagens para espadas. Poder-se-ia teorizar que uma das razões por trás da existência de vários estilos de escrita numa marca de fabricante poderia ser devida a esta divisão de trabalhos. Pelos escritos de Nasrābādi Esfahāni o ferreiro Assadollāh viveu à volta de 1690 E.C. durante o reino do Šāh Soleymān Safavid, que governou de 1077 a 1105 Hégira (1666 – 1694 E.C.). Há um šamšir iraniano com duas inscrições embutidas a ouro: Amal-e Assadollāh ﻋﻣﻞ ﺍﺴﺪﺍﷲ (Obra de Assadollāh) e Šāhanšah Anbiyā Mohammad ﻤﺤﻤﺩ ﺍﻧﺑﻴﺍ ﺸﺍﻫﻧﺸﻪ (O rei dos profetas Mohammed).Nota 32Ver Petrasch, et al. (1991:182; 185–186) As espadas e moedas durante o período de Mohammad Šāh Qājār também tinham a inscrição Šahanšah Anbiyā Mohammad ﻤﺤﻤﺩ ﺍﻧﺑﻴﺍ ﺸﺍﻫﻧﺸﻪ. Ambos os cartuchos neste šamšir ﺷﻤﺸﻴﺮ têm o mesmo estilo de escrita e a mesma técnica de embutido a ouro, o que indicaria que têm origem no mesmo período, que foi neste caso a época de Mohammad Šāh Qājār. Parece então que um ferreiro pelo nome de Assadollāh viveu também durante a era de Mohammad Šāh Qājār [1834–1848 E.C.] bem como durante aquela do Šāh Soleymān Safavid (1666–1694 E.C.).Nota 33Ver Moshtagh Khorasani (2006:156–163) Baseando-nos em todos os factos apresentados acima, é razoável assumir que Assadollāh era um título de mestria dado aos melhores fabricantes de espadas que eram consequentemente autorizados a marcar as suas espadas ou produtos com a prestigiosa frase: Amal-e Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ ﻋﻣﻞ ou Amal-e Assadollāh Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ ﻋﻣﻞ. Isto faria perfeito sentido visto que Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ (Leão de Deus) era o título do Imam Ali e, portanto, um título de grande respeito numa sociedade Xiita altamente religiosa como era a do Irão Safávida. Isto também explicaria porque o nome Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ não era usado em kārdhā (facas) e em xanjarhā (adagas). O fabrico de armas brancas era uma operação que envolvia uma grande divisão de trabalhos no Irão, o grupo que fabricava espadas era chamado šamširsāz ﺸﻤﺸﻳﺮﺴﺎﺰ, e como a industria do fabrico de espadas estava no seu auge e era profundamente apreciada e admirada, não é surpresa que este título fosse dado aos melhores fabricantes de armas. Um episódio do Dāstān Hossein Kord Šabestari, escrito durante o reino do Šāh Abbās Safavid revela que até o Šāh Abbās Safavid era chamado “O descendente de Assadollāh”. O livro conta que quando o filho de Badaq Xān, o governador de Tabriz, enviou um mensageiro ao Šāh Abbās em Esfahān, o mensageiro entrou na corte e dirigiu-se ao Šāh Abbās como farzandzāde-ye Assadollāh al-qāleb amir al-momenin aleyhe salām ﻋﻠﻴﻪﺍﻠﺴﻻﻢ ﺍﻣﻴﺮﺍﻟﻤﻮﻣﻨﻴﻦ ﺍﻠﻐﺎﻠﺐ ﺍﺴﺪﺍﷲ ﻔﺮﺰﻧﺪﺰﺍﺩﻩ (o descendente do Leão de Deus, Assadollāh, o poderoso/vitorioso Rei dos Crentes).Nota 34Ver Dāstān Hossein Kord Šabestari (2003/1382:44) No manuscrito do período Qājār, Rostam al Tavārix, o seguinte título é usado para se referir a Hazrat Ali: Assadollāh al Qāleb Ali ibn Abi Tāleb (ﻉ( ﺍﺑﻴﻂﺎﻟﺐ ﺍﺑﻦ ﻋﻠﻰﺍﻠﻐﺎﻠﺐ ﺍﺴﺪﺍﷲ (O Leão de Deus Ali, o poderoso o vitorioso, o filho de Abi Tāleb).Nota 35Ver Āsef (2003/1382:134) Tanto Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ como amir al-momenin ﺍﻣﻴﺮﺍﻟﻤﻮﻣﻨﻴﻦ são títulos de Hazrat Ali. Dado o facto que o Šāh Abbās Safavid se auto-intitulava "Kalbeali" ﻛﻠﺒﻌﻠﻰ (o cão de Ali) e descendente de Assadollāh, isto ajuda a esclarecer a frase: Amal-e Kalbali ibn Assad[ollah] Esfahāni ﺍﺻﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪ ﺍﺒﻥ ﻛﻠﺒﻌﻠﻰ ﻋﻤﻞ. É possível que ser classificado como Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ era superior à classificação de Kalbeali. Esta hipótese é também sustentada pela natureza rígida das guildas durante o período Safávida. Chegar ao nível de mestria em qualquer guilda requeria provavelmente árduos exames. Existe a possibilidade que mestria numa guilda durante os Safávidas e até ao período Qājār fosse sujeita a algum género de exame de qualificação, de modo que poder ter sido requerido a um candidato a apresentação de uma óptima obra da sua autoria para ser examinada e julgada pelos mestres da guilda.Nota 36Ver Allan and Gilmour (2000:387) Pode ser que tendo chegado ao nível de mestria no método de forjar espadas tenha sido recompensado com o título Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ (Leão de Deus).Nota 37Para a marca de fabricante assinada com o nome Assadollāh e as suas variants em diversas espader ver Moshtagh Khorasani (2006:430, cat.70, 432, cat. 73; 434, cat. 74; 435, cat. 75; 436, cat. 76; 441, cat. 79; 451, cat. 85; 448-449, cat.83; 451, cat.85; 453, cat.86; 456, cat.89; 461, cat.93; 471, cat.103; 481, cat.112; 503, cat.131; 518, cat.143; 526, cat.151; 529, cat.152; 536, cat.157; 547, cat.166) Este título era dado a bons espadachins como é contado no manuscrito Romuz-e Hamze escrito na segunda metade do século XV E.C. que o título Assad ibn ﺍﺳﺪﺍﺑﻦ era utilizado para se referir a espadachins que dessem golpes muito poderosos com as suas armas.Nota 38Ver Romuz-e Hamze (1940/1359 Hegira:539)

O Armeiro Kalbeali ﻛﻠﺒﻌﻠﻰ

Outro cartucho de armeiro que tem levado a muita confusão consiste da frase Amal-e Kalbeali ﻛﻠﺒﻌﻠﻰﻋﻤﻞ “Obra de Kalbeali”. Note-se que amal ﻋﻤﻞ (s.) significa “obra”, kalb ﻜﻟﺐ (s.) significa “cão”, e Ali ﻋﻟﻰ (s.) é o nome de Hazrat-e Ali. Semelhante ao nome Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ, Kalbeali é um primeiro nome típico Xiita e Kalbeali é também considerado por alguns investigadores outro ferreiro que trabalhou para o Šāh Abbās Safavid, que reinou entre 1587 e 1629 E.C.Nota 39Ver Lebedynsky (1992:71) A expressão “O Cão de Ali” é usada para mostrar a devoção do fabricante a Hazrat Ali ﻋﻠﻰﺣﻀﺮﺖ , o primeiro Imã dos Xiitas. Esta marca de fabricante é também um mistério visto que existem diferentes espadas com diferentes estilos de escrita e caligrafia com esta marca de fabricante. A existência de frases diferentes com a assinatura de “Kalbeali” indica que existiram, de facto, vários ferreiros que assinaram as suas espadas com este título. Existem três tipos diferentes: a) amal-e Kalbali ﻜﻠﺒﻌﻠﻰﻋﻤﻞ , b) amale-e Kalbeali Esfahāni ﺍﺻﻓﻬﺎﻨﻰﻜﻠﺒﻌﻠﻰﻋﻤﻞ , e c) amal-e Kalb-e Ali ibn Assad-e Esfahāni ﺍﺻﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪ ﺍﺒﻥ ﻛﻠﺒﻌﻠﻰ ﻋﻤﻞ. O nome “Kalbeali” é por vezes escrito como uma palavra: ﻜﻠﺒﻌﻠﻰ, e é também escrito em duas palavras noutros cartuchos como: ﻋﻠﻰ ﻜﻠﺐ. Até a referência ao pai, Assadollāh é diferente. Um cartucho tem a expressão, Ibn Assad Esfahāni ﺍﺻﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪ ﺍﺒﻥ, enquanto que noutro pode-se ler: Ibn Assad Zahābdār ﺰﻫﺎﺐﺪﺍﺮﺍﺴﺪﺍﺒﻥ . A inscrição Valad-e Kalbeali ibn Assad Zahābdār ﺪﺍﺮﺯﻫﺎﺐﺍﺴﺪﺍﺒﻥ ﻛﻠﺒﻌﻠﻰﻮﻠﺪ , revela que o ferreiro queria sublinhar que o seu avô tinha o título “Assadollāh” ﺍﺴﺪﺍﷲ, o nível mais alto, ou queria sublinhar que era um seyyed (descendente da família do profeta Mohammed).Nota 40Ver Moshtagh Khorasani (2006:163–167) Assumindo que Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ era um título honorífico, encontramos o problema da interpretação da frase Amal-e Kalbeali ebn Assad ﺍﺴﺪ ﺍﺒﻥ ﻛﻠﺒﻌﻠﻰ ﻋﻤﻞ (Obra de Kalbeali o filho de Assad). No que a isto diz respeito é assumido que existiram dois filhos de Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ, Kalbeali ﻛﻠﺒﻌﻠﻰ e Esmā’il ﺍﺴﻣﺎﻋﻳﻞ e é também assumido que apenas uma lâmina é assinada como “Obra de Esmā’il filho de Assadollāh”.Nota 41Ver Mayer (1957-59:2) Apesar do facto de existiram muitas espadas assinadas com o nome Esmā’il,não se pode concluir que estas eram lâminas feiras por Esmā’il, filho de Assadollāh, dado que Esmā’il era um nome muito popular durante o período Safávida.

Alguns investigadores assumem que uma vez que alguns cartuchos têm a assinatura “Kalbeali, o filho de Assadollāh,” isto é uma indicação que Assadollāh era uma pessoa vivaNota 42Ver Kobylinski (2000:62) visto que pelos finais do século XVI e inícios do século XVII, Assadollāh Esfahāni tinha atingido uma muito boa reputação. Alguns até propõem a possibilidade que Assadollāh Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ foi o criador do šamšir clássico iraniano com a lâmina muito curvada, uma tradição que foi proposta após a sua morte e a morte do seu filho, Kalbeali ﻛﻠﺒﻌﻠﻰ.   Nota 43Ver Lebedynsky (1992:71) No entanto esta teoria que um ferreiro chamado Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ do período de Šāh Abbās ﻋﺒﺎﺲ ﺸﺎﻩ tenha sido o inventor deste tipo de espada não pode ser substanciada. Deve-se notar que no período anterior à conquista Árabe do Irão e a introdução do Islão em 631 E.C., as espadas usadas no Irão eram todas de lâmina direita. Isto significa que as dinastias persas precedentes, nomeadamente os Aquemênidas (559 A.C.-330 A.C.), Arsácias (250 A.C.– 228 D.C.), e os Sassânidas (241 D.C.-651 D.C.) todos utilizavam espadas de gume duplo com lâminas direitas. Apesar de o termo šamšir ser usado em Inglês e outras línguas Europeias para se referir ao clássico šamšir perda como um elevado grau de curvatura, deve ser notado que o termo em si é generalista na língua persa e refere-se a qualquer tipo de espada, independentemente do seu formato. De facto este termo tem a sua origem no Phalavi médio persa, no qual se chamava šamšēr, šafšēr e šufšēr (Farahvashi, 2002b/1381:336). As origens da palavra šamšir podem ser encontradas no início do Persa moderno, antes de ser escrito no alfabeto Árabe. No início do persa moderno a palavra para “espada” era sneh (snyh), ou, šamšēr. A versão mais antiga parece ser šafšēr no persa médio maniqueísta.Nota 44Ver MacKenzie (1971) Estes nomes famosos, nomeadamente Assadollāh e Kalbeali, especialmente o nome Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ, eram usados para simbolizar a qualidade das lâminas.Nota 45Ver Lebedynsky (1992:71) É interessante notar que muitas espadas com boas lâminas “de damasco” foram assinadas com o seu nome não só no Irão mas também na Índia Mugal e na Turquia Otomana. Como sugerido pela frase amal-e Assadollāh Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ ﻋﻣﻞ, o nome de Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ era provavelmente um título dado aos melhores fabricantes de espadas – pessoas vivas e não uma certa oficina. Assumindo que Assadollāh era um título desta natureza, pode-se também resolver o problema do nome Kalbeali Ibn Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲﺍﺒﻥ ﻛﻠﺒﻌﻠﻰ , indicando que o filho de um mestre fez esta espada. A questão interessante que se põe aqui é se Kalbeali ﻛﻠﺒﻌﻠﻰ (O cão de Ali) era um nome real ou também um título. É importante tomar em consideração que Kalbeali ﻛﻠﺒﻌﻠﻰ é um nome significativamente Xiita, expressando humildade e devoção para com Ali. Investigação inicial sobre o assunto já discutia o problema da identificação das lâminas assinadas com o nome Kalbali ﻛﻠﺒﻌﻠﻰ e refere três armas assinadas com esse nome, datadas de 1681 até 1700 E.C., mas os cartuchos englobam os reinados do Šāh Esmā’il ﺍﺴﻣﺎﻋﻳﻞ ﺸﺎﻩ, Šāh Tahmāsp ﻃﻬﻤﺎﺳﺐ ﺸﺎﻩ, Šāh Abbās ﻋﺒﺎﺲ ﺸﺎﻩ, e Šāh Safi .ﺼﻔﻰ ﺸﺎﻩ  Nota 46Ver Mayer (1957–59:3) Mas mesmo se estes cartuchos referem o Šāh Safi II (1077–1105 Hégira sob o nome de Soleymān), Šāh Tahmāsp II (1135–1144 Hégira), Šāh Abbās III (1144–1163 Hégira), e Šāh Esmā’il III (1163–1166 Hégira), há uma amplitude de tempo máximo de 89 anos e mínimo de 84, obviamente um período demasiado longo para a vida activa de um fabricante de espadas.Nota 47Ibid É também importante tomar em consideração que mesmo Šāh Abbās I se chamava a si próprio āstāne Ali ﻋﻠﻰ ﺁﺴﺘﺎﻥ کﻠﺐ (cão no soleira da casa de Ali), e alguns dos historiadores seus contemporâneos, como Jallāledin Mohammad, usavam exclusivamente este título para se referirem a ele.Nota 48Mir’i (1970/1349:229) Um relato verifica que o nome Kalbali ﻛﻠﺒﻌﻠﻰ era um título usado para se referir a pessoas de um certo estatuto que eram seyyed (descendentes da família do Profeta Mohammed). Esta historia recorda-nos do encontro entre Pahlavān Darviš Mofred ﻣﻔﺮﺪ ﺪﺮﻮﻴﺵ پﻬﻠﻮﺍﻥ e um fora da lei chamado Amir Xalil ﺨﻠﻳﻞ ﺍﻤﻴﺮ. Mofred ﻣﻔﺮﺪ recusou-se a lutar contra Amir Xalil ﺨﻠﻳﻞ ﺍﻤﻴﺮ, dizendo que pertencia aos sagān-e ān āstān ﺁﺴﺗﺎﻦ ﺁﻥ ﺳگﺎﻦ [os cães daquela família: referindo-se à família do profeta Mohammed] (note-se que sagān ān āstān ﺁﺴﺗﺎﻦ é uma forma curta de sag-e āstān Ali ﻋﻠﻰ ﺁﺴﺘﺎﻥ ﺳگ ou Kalb-e Ali ﻋﻠﻰ ﻜﻠﺐ) e qualquer pessoa que lute com um membro do seu grupo perderá.Nota 49Ver Kāzemini (1964/1343:78–81) Isto é, claro, mais uma prova que o nome de Kalbeali era usado para se referir a seyyed (descendente da família do Profeta Mohammed) e não está relacionado com o nome de um só ferreiro. Logo, o facto que muitos ferreiros usaram este nome nas suas lâminas é uma indicação que ou queriam sinalizar que eram seyyed ﺴﻳﺪ ou escolheram assinalar que tinham chegado a um certo nível de mestria. É digno de nota que alguns investigadores dizem que algumas espadas iranianas do período Safávida tinham inscrições gravadas, como Kalbe āstāne Ali ﻋﻠﻰﺁﺴﺘﺎﻦﻛﻠﺐ [o cão da Casa de Ali], Kalb āstāne Velāyat ﻮﻻﻴﺖﺁﺴﺘﺎﻦﻛﻠﺐ [o cão da casa do reino], ou Navvāb-e Kalbe āstāne Ali ﻋﻠﻰﺁﺴﺘﺎﻦ ﻛﻠﺐﻧﻮﺍﺐ [o representante do cão da casa de Ali], por ferreiros iranianos, provando a sua devoção a Ali.Nota 50Falsafi (1996/1375:871; volume 3) Parece que estas expressões se referem à assinatura do fabricante, Amal-e Kalbeali ﻜﻠﺒﻌﻠﻰﻋﻤﻞ , visto que nenhuma das expressões mencionadas por Falsafi aparecem ipsis verbis em espadas do período Safávida. Portanto, pode ser também que Kalbeali ﻜﻠﺒﻌﻠﻰ era outro título usado pelos armeiros Safávidas e muito provavelmente um nível abaixo de Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ, o título do próprio Imã Ali ﻋﻠﻰ. Contudo não se pode eliminar a possibilidade da existência de diferentes ferreiros chamados Kalbeali ﻜﻠﺒﻌﻠﻰ cujos pais tenham chegado ao nível de mestria de Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ. Há também o relato de uma espada assinada com o nome de fabricante, Kalbeali Xorāsāni ﺧﺮﺍﺳﺎﻧﻰﻜﻠﺒﻌﻠﻰ , um ferreiro que trabalhou durante o reino do Šāh Abbās ﻋﺒﺎﺲ ﺸﺎﻩ e que fez uma espada não datada que é mantida no Museu Salar Jung em Secunderabad. Baseado nesta conclusão, é seguro assumir que outros ferreiros que não tinham este nível de mestria ou que não tinham um pai que tinha atingido o nível de mestria de Assadollāh ﺍﺴﺪﺍﷲ assinaram as suas espadas com os seus nomes reais.Nota 51Para a marca de fabricante Kalbeali e as suas variants em espadas diferentes ver Moshtagh Khorasani (2006:437, cat. 77; 438, cat. 78; 476, cat.108; 495, cat.124; 531, cat.153)

Outros Fabricantes de Espadas

É digno de nota que outros fabricantes de espadas assinaram as suas espadas com os seus próprios nomes. Alguns ferreiros que assinaram os seus nomes nas lâminas são os que vão ser discutidos a seguir. Para além da espada numero um que é mantida no Museu Reza Abbāsi em Teerão, todas estas espadas são mantidas em museus militares iranianos (Museu Militar de Teerão, Museu Militar de Širāz e Museu Militar de Bandar Anzali) e parte da colecção privada de Nassereldin Šāh Qājār que tinha herdado estas espadas dos seus antepassados.

Período Safávida

  1. Um dos ferreiros do período Safávida chamava-se Sādeq e assinava as suas espadas com a inscrição amal-e Sādeq ﺻﺎﺪﻖ ﻋﻤﻞ (Obra de Sādeq). Note-se que amal ﻋﻤﻞ (s.) significa “obra” e Sādeq ﺻﺎﺪﻖ (s.) é um nome. Uma espada assinada por amal-e Sādeq ﺻﺎﺪﻖ ﻋﻤﻞ e atribuída ao Sāh Esmā’il é Safávida e é mantida no Museu Reza Abbāsi.Nota 52Para mais informações ver Moshtagh Khorasani (2006:431, cat.72)
  2. Outro fabricante de espadas do período Safávida era chamado Salmān Qolām que assinava as suas espadas com a inscrição amal-e Salmān Qolām ﻏﻼﻡﺴﻠﻤﺎﻦ ﻋﻤﻞ (Obra de Salmān Qolām); note-se que amal ﻋﻤﻞ (s.) significa “obra” e Salmān Qolām ﻏﻼﻡ ﺴﻠﻤﺎﻦ ﻋﻤﻞ (s.) é um nome. Uma espada assinada por amal-e Salmān Qolām ﻏﻼﻡﺴﻠﻤﺎﻦ ﻋﻤﻞ e atribuída ao Sāh Safi Safavid é mantida no Museu Militar de Teerão.Nota 53Para mais informações ver Moshtagh Khorasani (2006:446, cat.81)
  3. Outro ferreiro do período Safávida foi Mesri Mo’alam ou Mo’alam Mesri que assinou as suas espadas com a inscrição Amal-e Mesri Mo’alam ﻤﻌﻠﻡﻤﺼﺮﻯ ﻋﻤﻞ ou Amal-e Mo’alam Mesri ﻤﺼﺮﻯﻤﻌﻠﻡﻋﻤﻞ (Obra de Mesri Mo’alam ou obra de Mo’lam Mesri). Note-se que amal ﻋﻤﻞ (s.) significa “obra” e Mesri Mo’alam ﻤﻌﻠﻡﻤﺼﺮﻯ (s.) é um nome. Uma espada assinada por amal-e Mesri Mo’alam ﻤﻌﻠﻡﻤﺼﺮﻯ ﻋﻤﻞ e atribuída ao Sāh Safi é mantida no Museu Militar de Teerão.Nota 54Para mais informações ver Moshtagh Khorasani (2006:444, cat. 80; 538, cat.159)
  4. Um ferreiro do período Safávida chamado Mohammad Taqi Sakkāk assinou as suas espadas com a inscrição Amal-e Mohammad Taqi Sakkāk ﻤﺤﻤﺪﺗﻘﻰﺴﻜﺎکﻋﻤﻞ (Obra de Mohammad Taqi Sakkāk). Note-se que amal ﻋﻤﻞ (s.) significa “obra” e Mohammad Taqi Sakkāk é um nome. Uma espada assinada por Amal-e Mohammad Taqi Sakkāk ﻤﺤﻤﺪﺗﻘﻰﺴﻜﺎکﻋﻤﻞ e atribuída ao Sāh Soltān Hossein Safavid é mantida no Museu Militar de Teerão.Nota 55Para mais informações ver Moshtagh Khorasani (2006:450, cat.84)
  5. Outro ferreiro com o nome Askari Esfahāni do período Safávida assinou as suas espadas com as inscrição amal-e Askari Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰﺍﺴکﺮﻯﻋﻣﻞ (Obra de Askari Esfahāni). Note-se que amal ﻋﻤﻞ (s.) significa “obra” e askari ﺍﺴکﺮﻯ (s.) é um nome, e Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ (adj.) significa “de Esfahān”.Nota 56Para mais informações ver Moshtagh Khorasani (2006:458, cat.91)
Período Zand
  1. Um ferreiro muito famoso chamado Ali Asqar Esfahāni do período Zand fez uma das espadas atribuídas a Karim Xān Zand que é mantida no Museu Militar de Teerão. Assinou a sua espada com a inscrição Amal-e Ali Asqar Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰﻋﻠﻰﺍﺼﻐﺮﻋﻣﻞ (Obra de Ali Asqar Esfahāni). Note-se que amal ﻋﻤﻞ (s.) significa “obra” e Ali Asqar ﻋﻠﻰﺍﺼﻐﺮ (s.) é um nome, e Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ (adj.) significa “de Esfahān”.Nota 57Para mais informações ver Moshtagh Khorasani (2006:494, cat.123)
Período Qājār
  1. Um ferreiro do período Zand ou princípios do período Qājār chamado Mollā Sādeq Esfahāni assinou as suas espadas com as inscrições amal-e Mollā Sādeq Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺻﺎﺪﻖ ﻤﻼﻋﻤﻞ (The work of Mollā Sādeq Esfahāni). Note-se que amal ﻋﻤﻞ (s.) significa “obra” e Mollā Sādeq ﺻﺎﺪﻖ ﻤﻼ (s.) é um nome, e Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ (adj.) significa “de Esfahān”.Nota 58Para mais informações ver Moshtagh Khorasani (2006b:544, cat.164)
  2. Um ferreiro chamado Mir Rezā do princípio do período Qājār assinou as suas espadas com a inscrição amal-e Mir Rezā ﻤﻴﺮﺮﻀﺎﻋﻤﻞ (Obra de Mir Rezā). Note-se que amal ﻋﻤﻞ (s.) significa “obra” e Mir Rezā ﻤﻴﺮﺮﻀﺎ (s.) é um nome.Nota 59Para mais informações ver Moshtagh Khorasani (2006:524, cat.149)
  3. Um armeiro do período Qājār fez duas espadas para Nassereldin Šāh Qājār com a assinatura amal-e Ostād Hāji Mohammad ﻤﺤﻤﺪﺤﺎﺠﻰﺍﺴﺗﺎﺪﻋﻣﻞ (Obra de Hāji Mohammad). Note-se que amal ﻋﻤﻞ (s.) significa “obra”, ostād ﺍﺴﺗﺎﺪ (s.) significa “mestre” e and Hāji Mohammad ﻤﺤﻤﺪﺤﺎﺠﻰﺎ (s.) é um nome.Nota 60Para esta marca de fabricante em duas espadas atribuídas a Nassereldin Šāh Qājār ver Moshtagh Khorasani (2006:551–552, cat.170–171)
  4. Outro armeiro do período Qājār com o nome Hāji Kāzem assinou as suas espadas com a inscrição amal-e Hāji Kāzem ﺤﺎﺠﻰﻜﺎﻈﻡﻋﻣﻞ (Obra de Hāji Kāzem). ). Note-se que amal ﻋﻤﻞ (s.) significa “obra” e Mollā Ali ﻋﻠﻰﻤﻼ (s.) é um nome.Nota 61Para esta marca de fabricante em algumas espadas militares iranianas do período Qājār ver Moshtagh Khorasani (2006b:561, cat.180; 562, cat.181; 563, cat.182; 564, cat.183, cat.184)
  5. Um armeiro do período Qājār tardio assinou a sua espada com a inscrição gravada amal-e Mohammad Sāleh ﺻﺎﻟﺢﻤﺤﻤﺪ ﻋﻤﻞ (Obra de Mohammad Sāleh). Note-se que amal ﻋﻤﻞ (s.) significa “obra” e Mohammad Sāleh (s.) é um nome.Nota 62Para mais informações ver Moshtagh Khorasani (2006:553, cat.172)
O manuscrito Ahsā’iye-ye Arz-e Aqdas [Estatísticas da Terra Santa] escrito por Zeynalābedin Ebn Marhum Šāhzādeh Hāji Mohammad Vali Mirzā em 1878-1879E.C. por ordem de Nāsserldin Šāh Qājār também relata os nomes de alguns ferreiros do período Qājār que estavam activos em Teerão como os seguintes:
  1. No bairro Sarāb ﺳÇÇﺮﺍﺏ: Mohammad Ali Čāqusāz ﻣﺤﻤÇÇﺪ ﻋﻠÇÇی چﺎﻗﻮﺳÇÇﺎﺯ [note-se que čāqusāz چﺎﻗﻮﺳﺎﺯ significa “fabricante de facas”] e Mašhadi Hasan Sohānsāz ﻣﺸﻬﺪی ﺣﺴﻦ ﺳﻮﻫﺎﻥ ﺳﺎﺯ [note-se que sohānsāz ﺳﻮﻫﺎﻥ ﺳﺎﺯ significa “fabricante de limas” e Mašhadi ﻣﺸﻬﺪی é um título dado a um peregrino que foi ao Mausoléu do Imã Rezā em Mašhad numa peregrinação.
  2. No bairro Eidgāh ﻋﻴﺪگﺎﻩ: Ali Čāqusāz ﻋﻠی چﺎﻗﻮﺳﺎﺯ, Karbalā’i Hasan Šamširsāz کﺮﺑﻼﻳی ﺣﺴÇÇﻦ ﺷﻤﺸﻴﺮﺳÇÇﺎﺯ [Note-se que šamširsāz ﺷﻤﺸﻴﺮﺳÇÇﺎﺯ significa “fabricante de espadas” e Karbalā’i کﺮﺑﻼﻳÇÇی é um título dado a um peregrino que foi ao Mausoléu do Imã Hossein em Karbala em peregrinarem], Qolāmrezā Čāqusāz ﻏﻼﻣﺮﺿﺎ چﺎﻗﻮﺳﺎﺯ, e Ostād Mohammad Šamširsāz ﺍﺳﺘﺎﺩ ﻣﺤﻤﺪ ﺷﻤﺸﻴﺮﺳﺎﺯ [note-se que ostād ﺍﺳﺘﺎﺩ significa “mestre” e é dado a ferreiros que atingiram o nível de mestria.
  3. No bairro Pā’in Xiyābān پÇÇﺎﻳﻴﻦﺧﻴﺎﺑÇÇﺎﻥ : Abbās Čāqusāz ﻋﺒÇÇﺎﺱ چﺎﻗﻮﺳÇÇﺎﺯ, Karbalā’i Ali Čāqusāz چﺎﻗﻮﺳÇÇﺎﺯﻋﻠÇÇیکﺮﺑﻼﻳÇÇی , Ostād Rahmatollāh Šamširsāz ﺍﺳÇÇﺘﺎﺩ ﺭﺣﻤÇÇﻪ ﷲ ﺷﻤﺸﻴﺮﺳÇÇﺎﺯ, e Allāh Qoli Šamširsāz ﺷﻤﺸﻴﺮﺳﺎﺯﷲ ﻗﻠی .
  4. No bairro Nŏgān ﻧﻮﻗÇﺎﻥ: Karbalā’i Hasan Šamširsāz کﺮﺑﻼﻳÇÇی ﺣﺴÇﻦ ﺷﻤﺸﻴﺮﺳÇﺎﺯ e Hasan Čāqusāz چﺎﻗﻮﺳﺎﺯﺣﺴﻦ .
É digno de nota que dois armeiros com o mesmo nome Karbalā’i Hasan Šamširsāz dos bairros diferentes de Eidgāh e Nŏgān trabalharam no mesmo período.

Conclusão

Muitas lâminas persas de qualidade estão assinadas com a sua marca de fabricante. Os cartuchos que contêm o nome dos seus fabricantes são geralmente embutidos a ouro na lâmina. O armeiro persa mais famoso é Assadollāh Esfahāni. Existem muitos cartuchos diferentes com estilos de escrita diferentes e diferentes técnicas de embutido a ouro, e até datas que fazem com que seja impossível que um armeiro tenha feito todas estas lâminas. A possibilidade de um falsário de lâminas de qualidade pode ser posta de parte neste caso, visto que um falsário copiaria exactamente o cartucho do fabricante original e poria a data correcta em vez de uma diferente. Tendo todos estes factores em conta parece mais provável que Assadollāh fosse um título dado a armeiros excelentes. O mesmo deveria ser verdade do nome Kalbeali, visto que muitas espadas são também assinadas com o seu nome. Investigação futura sobre este assunto ajudara a fazer mais luz sobre estes dois nomes. Outros armeiros assinaram as suas espadas com os seus próprios nomes, como provam os exemplos mantidos nos museus militares do Irão. Imagem 1: Inscrições embutidas a ouro de uma espada atribuída ao Šāh Abbās Safavid (1587–1629 E.C.) do Museu Militar de Teerão (ver Moshtagh Khorasani, 2006:434). As inscrições dizem: Amal-e Assadollāh Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ ﻋﻣﻞ e Bande-ye šāh-e velāyat Abbās ﻋﺒﺎﺱﻮﻻﻴﺕﺷﺎﻩﺑﻨﺪﻩ . Imagem 2: Inscrições embutidas a ouro de uma espada atribuída ao Šāh Abbās Safavid (1587–1629 E.C.) do Museu Militar de Teerão (ver Moshtagh Khorasani, 2006:432). As inscrições também dizem Amal-e Assadollāh Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ ﻋﻣﻞ and Bande-ye šāh-e velāyat Abbās ﻋﺒﺎﺱﻮﻻﻴﺕﺷﺎﻩﺑﻨﺪﻩ . Está presente também um sinal bodduh em letras embutido a ouro. Note-se a grande diferença em estilos de escrita. Imagem 3: Inscrições embutidas a ouro de uma espada atribuída ao Šāh Soleymān Safavid (1666–1694 E.C.) do Museu Militar de Teerão (ver Moshtagh Khorasani, 2006:448–449). As inscrições dizem: Amal-e Assadollāh Esfahāni 1092 ١٠٩٢ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰ ﺍﺴﺪﺍﷲ ﻋﻣﻞ e Innahu min sulayman wainnahu bismi Allāhi alrrahmani alrrahim. ﺍﻟﺮﺣﻴﻢ ﺍﻟﺮﺣﻤﻦ ﺍﷲ ﺑﺴﻡﱢﺍﻧﻪ ﻭ ﺴﻠﻴﻣﻦ ﻣﻦ ﺍﻧﻪ (É de Salomão e (diz): “Em nome de Allah, Ar-Rahman, Ar-Rahim) (ver al-Qur’an, 1993:323). Imagem 4: Inscrições embutidas a ouro de uma espada atribuída ao Šāh Abbās Safavid (1587–1629 E.C.) do Museu Militar de Teerão (ver Moshtagh Khorasani, 2006:438). As inscrições dizem: Amal-e Kalbeali ﻛﻠﺒﻌﻠﻰﻋﻤﻞ , Bande-ye šāh-e velāyat Abbās ﻋﺒﺎﺱﻮﻻﻴﺕﺷﺎﻩﺑﻨﺪﻩ , La Fata ella Ali la seif ella dhulfaghar ﺬﻭﺍﻠﻔﻘﺎﺮ ﺍﻻ ﺴﻴﻑ ﻻ ﻋﻠﻰ ﺍﻻ ﻻﻔﺘﺎ (Não há homem jovem e corajoso senão Ali, não há espada senão zolfaqār), e yā Ali madad ﻤﺪﺪﻋﻠﻰﻴﺎ (Oh Ali ajuda). Imagem 5: Inscrições embutidas a ouro de uma espada atribuída ao Šāh Safi (1629–1642 E.C.) do Museu Militar de Teerão (ver Moshtagh Khorasani, 2006:444–445). As inscrições dizem: Amal-e Mesri Mo’alam ﻤﻌﻠﻡﻤﺼﺮﻯﻋﻤﻞ ou Amal-e Mo’alam Mesri ﻤﺼﺮﻯﻤﻌﻠﻡﻋﻤﻞ e Bande-ye šāh-e velāyat Safi ﺼﻔﻰﻮﻻﻴﺕﺷﺎﻩﺑﻨﺪﻩ . Está presente também um sinal bodduh em letras a ouro. Imagem 6: Inscrições embutidas a ouro de uma espada atribuída ao Šāh Soltān Hossein (1694–1723 E.C.) do Museu Militar de Teerão (ver Moshtagh Khorasani, 2006:450). As inscrições dizem: Amal-e Mohammad Taqi Sakkāk ﻤﺤﻤﺪﺗﻘﻰﺴﻜﺎکﻋﻤﻞ e Bande-ye šāh-e velāyat Soltān Hossein ﺴﻠﻁﺎﻦﺤﺴﻴﻦﻮﻻﻴﺕﺷﺎﻩﺑﻨﺪﻩ . Imagem 7: Inscrições embutidas a ouro de uma espada atribuída a Karim Xān Zand (1750–1779 E.C.) do Museu Militar de Teerão (ver Moshtagh Khorasani, 2006: 494). As inscrições dizem: Amal-e Ali Asqar Esfahāni ﺍﺼﻓﻬﺎﻨﻰﻋﻠﻰﺍﺼﻐﺮﻋﻣﻞ e um poema persa. O poema diz: “Esta espada que [se destina] a caçar o leão celestial é a espada de Vakil, o rei que conquista países. Vai sempre ter a chave da vitória na sua mão e [só se] se mantiver o cabo desta espada na sua mão.

Referências

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